Obrigado por 2016!

Queridos amigos do species, 2016 foi um ano especial para o nosso grupo, no qual pudemos realizar uma série de encontros maravilhosos e lançar o primeiro número de nossa revista – apesar de toda a situação atual do país, repleta de instabilidade política, cortes de verbas, ameaças à universidade e à educação. Precisamos agradecer a todos os convidados que gentilmente aceitaram nossos convites, a todos os funcionários que nos ajudaram na organização, aos pesquisadores e estudantes do núcleo por todo o empenho e dedicação e a todo mundo que nos apoia, frequentando nossos eventos. Muito obrigado a todos, só é possível com vocês! Boas festas e até ano que vem, quando iniciaremos os trabalhos com um mini-curso ministrado por Emanuelle Coccia (CEHTA/EHESS) entre 13 e 17 de fevereiro sobre A vida das plantas. Nos vemos em breve!!!

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Seminário Performar a literatura: pesquisas para uma redefinição do literário

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Seminário Performar a literatura. Pesquisas para uma redefinição do literário.

8 e 9 de dezembro de 2016 | Anfiteatro 100 do D. Pedro I (Reitoria/UFPR)

Resumo: Todo texto literário, para se constituir enquanto experiência literária, precisa do leitor (mesmo que seja o leitor virtual ao qual o autor se dirige), precisa, portanto, ser performado: formado através (do outro), por meio de uma travessia. O gesto da leitura coloca, assim, o corpo em cena, o corpo na cena da literatura: a visão, o movimento dos lábios, a respiração, o manuseio das páginas (mesmo – no caso da leitura silenciosa, mental – que se trate da virtualização de tais movimentos corporais), e os afetos, sensações, do espanto à identificação, do enfado ao êxtase. E o mesmo não se daria no gesto da escrita (e o escritor é sempre antes um leitor, mesmo que seja do mundo e da própria linguagem)? O circuito do texto (potencialmente infinito, já que aberto sempre a novas leituras – o mesmo leitor nunca lê o mesmo texto duas vezes, já que nem ele nem o texto são os mesmos) produziria assim o atravessamento de corpos, fazendo do corpo do texto um texto do corpo, em que se cruzam não só autor e leitor (este escuta e ecoa, isto é, repete de forma diferida, o corpo daquele), mas também os corpos virtuais de personagens, narradores, bem como os corpos anônimos que compuseram a linguagem (do tempo) da escrita e (do tempo) da leitura. Ler é sempre escutar e traduzir, e toda tradução é uma performance (Augusto de Campos). Desse modo, a experiência literária não só necessita do outro, como envolve um “outrar-se” (Fernando Pessoa), uma modificação a um só tempo existencial e corporal: uma perversão, versão enviesada, transversal, e um performar (etimologicamente: uma formação atravessada; no limite, um atravessamento ou extravasamento das formas – corporais, artísticas, textuais, etc. -, ou seja, uma travessia do corpo). Corpos atravessados pela linguagem performam gêneros (no plural), corpos machucados por atos de fala, diz Judith Butler. Eis a proposta: fazer a literatura dialogar com as proposições da body art e da performance, como ela é entendida no circuito das artes contemporâneas, como “eventos não ensaiados e abertos ao público” (Ana Bernstein). Qual seria o interesse de introduzir na crítica textual o vocabulário extrínseco das artes contemporâneas? Se a noção de “performativo” abriu a caixa fechada da representação de acontecimentos para fazer a frase agir, a performance visa menos à ação de transformação do mundo do que à transformação do próprio corpo do mundo. Nesse sentido, Hélio Oiticica entendia a performance como um “EXPERIMENTAR-MUNDO”, ou seja, uma forma de criação de multiplicidades que dessubjetivam na medida em que está em jogo nela uma descoberta do corpo, mas pelo corpo, através dele (“descoberta CORPO/PERFORMANCE (…) q revele: invente: descubra”). Portanto, o objetivo da performance é levar as situações e os corpos ao limite, deixar marcas nos corpos e é através da contestação deste limite que se abre a possibilidade da experiência e do experimental e as possibilidades de inventar mundos. A performance, por isso, nunca é individual; antes, obedece à mesma lógica da escrita barthesiana ou a do travestimento, apontada por Sarduy: não é um autor que escreve a obra, não é um corpo que realiza a performance, mas sim uma relação que se estabelece com o outro, uma relação de devir. O escritor-performer sofre o mundo em seu corpo, estimula o expectador/leitor a escrever/mexer em seu corpo, escreve ou “excreve”, para citar o neologismo de Jean-Luc Nancy, imprimindo o mundo na pele de seu corpo (ou o corpo na pele do mundo). Na performance a arte sai do palco italiano, não produz resultados, ou objetos fechados, como a literatura sai do relato, ela busca o seu limite, saindo da literatura? No lugar ela expõe um corpo (com artigo indefinido), vulnerável, que sofre, presente. “O artista está presente”, diz Marina Abramovic, o artista é presença. O programa, script ou contrato performático deslocam a arte para o limiar que a separa da não arte, e ali a faz viver. Performar, em suma, a literatura significa ler a literatura como uma ontologia do corpo. O que encena e o que pode ele?, repetindo a pergunta célebre de Spinoza. Ressensibilizar assim o corpo da literatura, retomando a sua capacidade de afetar e ser afetado, perguntando-se o que e como ele é afetado. Como entender essa performance em que experimentamos não somente que “nosso corpo é apenas uma estrutura social de muitas almas”, como dizia Nietzsche, mas que nossa alma é apenas uma estrutura fictícia de muitos corpos? O Seminário pretende discutir essas questões por meio de enfoques os mais variados – teóricos, históricos, análise poética ou de prosa, dança e outras artes.

Programação:

Quinta-feira, dia 8

09:00 | Programa e gambiarra:
João Camillo Penna (UFRJ) e Sabrina Sedlmayer-Pinto (UFMG)

10:30 | Caminhar, correr: duas derivas:
Lia Duarte Mota (UFF) e Mariana Patrício Fernandes (UFRJ)

14:00 | Interpretação, tradução e performance:
Leonardo Antunes (UFRGS), Guilherme Gontijo Flores (UFPR) e Rodrigo Tadeu Gonçalves (UFPR)

15:45 | Voz, contradicção e lastro:
Roberto Zular (USP), Fábio Roberto Lucas (USP), Lucius Provas (USP)

17:30 | Leite e verborragia:
Luciana María di Leone (UFRJ) e Juliana Pereira (UFSC)

Sexta-feira, dia 9

09:30 | Multiposicionalidade e viração:
Pedro de Niemeyer Cesarino (USP) e Camila de Caux (UFRJ)

10:45 | Quase-evento e corpo escrito:
Alexandre Nodari (UFPR) e Flávia Cêra (SPECIES)

14:00 | Corpo (não-linear):
Clarissa Comin (UFPR), Rondinelly Gomes Medeiros (UFPR), Hugo Simões (UFPR) e Yuri Kulisky (UFPR)

15:45 | Escuta-escrita:
Marília Librandi Rocha (Stanford) e Jamille Pinheiro Dias (USP)

17:00 | Encerramento:
Cecília Cavalieri (UFRJ) e Pecora Loca (UFPR)

[ Página do evento no Facebook ]


Quarta, dia 7, às 15 horas, no Anfiteatro 1100, haverá um encontro preparatório, com exposição e debate da pesquisa de Lucius Provase: “o poema como objeto ontológico – ou como é possível o contemporâneo?”: https://speciesnae.wordpress.com/2016/12/01/encontro-indisciplinar-com-lucius-provase-o-poema-como-objeto-ontologico/https://www.facebook.com/events/1794837764108789/

Encontro indisciplinar com Lucius Provase: “o poema como objeto ontológico”

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Encontro Indisciplinar do SPECIES com exposição de pesquisa e debate com Lucius Provase: “o poema como objeto ontológico – ou como é possível o contemporâneo?”

Quarta, dia 7 de dezembro, às 15 horas, no Anfiteatro 1100 (D. Pedro I – Reitoria/UFPR)

Resumo: A nossa experiência de tempo nos coloca, hoje, diante de um mundo sem lastro discursivo. Nesse cenário, dentre as implicações mais impactantes para o trabalho literário, destaca-se a perda do comum, daquilo que nos permite a partilha do sensível e a construção de contextos. Esse é o pressuposto desta apresentação. Nela discutirei como se dá a produção de sentido sem essa partilha, sem o estabelecimento prévio desse mínimo múltiplo comum discursivo. Também apontarei respostas oferecidas pelo trabalho literário a essa nova configuração discursiva, algo que gera o que chamei de objeto ontológico. O poema, mas poderíamos pensar na obra literária, passa a ser um produtor de historicidades e, portanto, de ontologias.


O evento é preparatório para o Seminário Performar a Literatura. Pesquisas para uma redefinição do literário, que ocorrerá nos dias 8 e 9 de dezembro, no Anfiteatro 100, do D. Pedro I. Mais informações aqui.

Conferência e atividades com Fabián Ludueña

Queridas e queridos amigos do species, é com prazer que vimos convidá-los para uma série de atividades com Fabián Ludueña Romandini.

Na segunda, dia 7, às 14:30, Fabián proferirá a conferência “Quem não se faz de tolo, não pode filosofar. Sobre alguns ‘existenciários’ do século XXI”.

No mesmo dia, às 19:30, participa de uma conversação com os psicanalistas Marcus André Vieira (EBP/AMP) e Nohemí Brown (EBP/AMP) sobre juventude e contemporaneidade.

Na terça, dia 8, às 16:00, apresenta e debate o seu mais novo livro Principios de Espectrología. La comunidad de los espectros. II. Alguns exemplares do livro, bem como outras obras do autor publicadas em português pela Cultura e Barbárie, estarão à venda na ocasião.

IMPORTANTE: AS ATIVIDADES ACONTECERÃO NO CAMPUS JUVEVÊ:
Os eventos no dia 7 serão no Anfiteatro do SACOD – Campus Juvevê (Rua Bom Jesus, 650).
A atividade do dia 8 será na sala 03 do SACOD – Campus Juvevê (Rua Bom Jesus, 650).

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Resumo da conferência: O tecido do real treme sob nossos pés. Os anúncios do encerramento epocal da metafísica proliferam como expressão de um esgotamento. A geopolítica anuncia os signos da terceira guerra civil mundial. A pós-metrópole global se converte no habitat de um desenraizamento. É possível, diante de tal panorama emergente, abrir a possibilidade de um filosofar? Ao menos, resulta plausível se interrogar sobre algumas regiões existenciais do vivente contemporâneo e, portanto, sobre as possibilidades de redefinição do sentido da filosofia hoje. O caminho não pode ser progressivo: diversas intensidades geotemporais haverão de comparecer diante de um mesmo chamado, a saber, meditar sobre o porvir do vivente que, até pouco tempo, havíamos convencionado chamar de humano. Considerando esse propósito, pode resultar apropriado conduzir a pesquisa precisamente sobre dois territórios sitiados e, por isso mesmo, evocadores: a verdade e os corpos.

 

Fabián Ludueña Romandini é filósofo. Obteve seu doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, França. Se formou na frequentação filosófica de Jacques Derrida, Giorgio Agamben e Georges Didi-Huberman. Pesquisador do Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet) e do Instituto de Investigaciones “Gino Germani” da Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad de Buenos Aires, Argentina. Professor de Filosofia na pós-graduação da Facultad de Ciencias Sociales (UBA) e professor titular de Filosofia e Ética na UADE. Suas áreas de interesse são, especialmente, a metafísica, a filosofia política, a história do direito romano e a história das religiões. Editor em castelhano das obras de Alexius Meinong, Jacob Taubes e Werner Hamacher. Autor de Homo Oeconomicus. Marsilio Ficino, la teología y los misterios paganos (2006); La comunidad de los espectros I. Antropotecnia (2010); Más allá del principio antrópico: hacia una filosofía del Outside (2013); H.P.Lovecraft. La disyunción en el Ser (2014) e Principios de Espectrología. La comunidad de los espectros II (2016), três dos quais traduzidos ao português pela Cultura e Barbárie.

Programação SPECIES 2016/1

Encontros indisciplinares

Nossos encontros periódicos e públicos têm o seguinte formato: 1) a primeira metade de cada encontro é dedicada ao debate de um texto previamente lido por todos; 2) a segunda metade se destina à exposição e debate da pesquisa de algum integrante ou convidado do SPECIES

Primeiro encontro – A filosofia de Giorgio Agamben
17/3, quinta-feira – 16:00 – Sala 404 do D. Pedro II (Reitoria/UFPR)
Debate do ensaio “Comédia” (primeiro capítulo das Categorias italianas, de Giorgio Agamben – trad. Vinícius Honesko e Carlos Capela; Florianópolis: EdUFSC, 2014)
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Exposição e debate da pesquisa de Vinícius Honesko (UFPR): “Uma vida tragicômica: as máscaras na filosofia de Giorgio Agamben”

Segundo encontro – A queda do céu: I. Devir outro
31/3, quinta-feira – 14:30 – Sala 404 do D. Pedro II (Reitoria/UFPR)
Debate sobre a primeira parte (Devir outro: caps. 3, 4 e 8) de A queda do céu (Davi Kopenawa e Bruce Albert; São Paulo: Companhia das Letras, 2015).
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Exposição e debate de pesquisa de Marcos Matos (UFAC/UFSC)

Terceiro encontro – A queda do céu: II. A fumaça do metal
28/4, quinta-feira – 14:30 – Anfiteatro 1100 do D. Pedro I (Reitoria/UFPR)
Debate sobre a segunda parte (A fumaça do metal: caps. 9, 12, 15 e 16) de A queda do céu (Davi Kopenawa e Bruce Albert; São Paulo: Companhia das Letras, 2015).
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Exibição e debate do filme Xapiri (Leandro Lima e Gisela Motta, Laymert Garcia dos Santos e Stella Senra, e Bruce Albert, 2012)

Quarto encontro – A queda do céu: III. A queda do céu
19/5, quinta-feira – 14:30 – Anfiteatro 1100 | D. Pedro I | Reitoria/UFPR
Debate sobre a terceira parte (A queda do céucaps. 17, 19 e 24) de A queda do céu (Davi Kopenawa e Bruce Albert; São Paulo: Companhia das Letras, 2015).
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Exposição e debate da pesquisa de Henrique Ressel: “Cerimônias nativas: tradição e inovação no Fogo Sagrado de Itzachilatlan”

Quinto encontro – A queda do céu: IV.
23/6, quinta-feira – 14:30 – Local a ser definido
Debate sobre a prefácio de Eduardo Viveiros de Castro (“O recado da mata”) e do Post-scriptum de Bruce Albert de A queda do céu (Davi Kopenawa e Bruce Albert; São Paulo: Companhia das Letras, 2015).
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Exposição e debate da pesquisa de Orlando Calheiros (PUC-Rio)


* Os capítulos de 
A queda do céu que serão debatidos podem ser baixados aqui


Grupo de pesquisa e leitura sobre literatura e psicanálise

Ao longo do semestre, Flávia Cera coordenará um grupo de pesquisa e leitura sobre literatura e psicanálise, que se reunirá quinzenalmente aos sábados, em local a ser informado. Os interessados em participar devem escrever para flavia.cera@gmail.com